quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Pior o meu racismo contextualizado ou a ignorância gratuita de vocês? Meu defeito pode ser explicado, debatido e desestimulado.


Então, Pedrinho diz que Tia Nastácia tem “carne preta”. Esse trecho e outros levaram Monteiro Lobato dos bancos escolares ao STF e o autor da mais rica literatura infantil brasileira é acusado de racismo.
Vale lembrar aqui o seguinte. O livro Caçadas de Pedrinho foi escrito em 1933, tempo em que havia ainda um ranço contra negros, filhos de senhores de escravos ainda se ressentiam pela ‘traição” da coroa portuguesa em abolir a escravatura e, para muitos, o negro era apenas mão de obra barata e indigno de se equiparar a um branco. Monteiro Lobato, fruto do campo onde trabalhavam escravos, bebeu dessa fonte e ela, certamente, influenciou o escritor e intelectual. Feche-se a cortina em 1933, abra-se em 2012. Os tempos são outros, a escravatura fica no tempo com os descendentes dos senhores, mas o ideário racista permanece. Mas agora grupos em prol da igualdade racial são atuantes e, ao lerem Monteiro Lobato, querem abolir o criador do Sítio do Picapau Amarelo das escolas. Há quem veja nisso justiça. Há quem veja excesso de zelo. Muitos veem plena falta do que fazer.
Os tempos mudam, as obras ficam. Monteiro é fruto do seu tempo e, embebido na dita fonte, legou toda impregnação em sua valiosa obra. Merece ser abolida? Não. No entanto, é interessante que professores e pedagogos orientem as crianças quanto a termos menos politicamente corretos. Jogar ao ostracismo uma obra porque ela não condiz com o pensamento de uma época é absurdo. O confronto de mentalidades é um ótimo começo para fazer a criança, mais que ler Monteiro Lobato, pensar sobre, refletir. A pobreza cultural, linguística e literária dos dias de hoje não pode prescindir de um suplemento rico que são as obras infantis de ML mesmo que esse suplemento contenha princípios ativos viciados. Nada que acompanhamento profissional não corrija e provoque melhor efeito.