Essa semana faleceu Fausto Fanti, humorista da trupe Hermes
e Renato. Perda lamentável para o humor mesmo sem o reconhecimento justo tanto
para a pessoa quanto para o grupo. O fato de fazer maior sucesso em rede
fechada de TV (ou de um canal com pouca visibilidade e direcionado a um público
específico, que era a MTV) e ter muita coisa “censurada” ao ir para um canal
maior contribuiu para o destaque aquém do merecido.
O humor do Hermes e Renato se baseava em esquetes que fugiam
do politicamente correto imposto de humor escrachado que misturava tons de
cinema nacional dos anos 70 (palavrões a rodo e sem razão de ser) e uma pitada
de Nelson Rodrigues em seus diálogos. Acresce-se a isso uma produção, em seu
princípio, amadora, tosca e que foi “melhorada” depois sem perder a essência da
simplicidade até porque já ficou de marca registrada.
Algo a saber sobre o Hermes e Renato é sua origem. Trata-se
de um grupo de cinco amigos de Petrópolis que, no final de sua adolescência, no
começo dos anos 2000, gravava vídeos com esquetes num “faça-você-mesmo” puro e
sem qualquer vergonha do ridículo. Com alguns vídeos gravados, os amigos
tiveram a coragem (ou falta de vergonha) de mandá-los para a MTV, que passava
vídeos caseiros durante os intervalos de sua programação. O produto agradou e a
MTV os contratou trazendo o grupo pra São Paulo, alugando uma casa para eles
morarem. O resto foi história e ela terminou tristemente nesta quinta-feira com
a morte de um dos integrantes. Aparentemente, um suicídio. Da minha parte,
grande fã dos programas do Hermes e Renato e que acompanha o grupo desde seu
início, o lamento é maior. Primeiro porque eu declaradamente gostava dos caras.
Segundo porque Fausto tinha a minha idade, 35 anos e o grupo oscilava nessa
faixa, a mesma minha e dos meus amigos. Éramos adolescentes curtindo
adolescentes na TV.
Quando éramos mais novos, eu, meus amigos e os próprios
rapazes do Hermes e Renato, eu e meus amigos tínhamos uma brincadeira em
família aos fins de ano. Escolhíamos fatos acontecidos durante o ano entre os
mais inusitados, engraçados, ridículos e dávamos o Prêmio M. A melhor parte
dessas “premiações” era justamente as filmagens das “reconstituições” dos episódios
premiados. Havia muita influência do Hermes e Renato nessa brincadeira, sem
dúvida. Também havia, na nossa turma, o hábito de fazer vídeos antes dos tais
Prêmios M. Coisas bobas, paródias de programas famosos à época, gracinhas
adolescentes. O teor era mais ou menos o mesmo do que fez o Hermes e Renato
famoso depois. Decididamente havia muito deles em nós mesmo antes deles “acontecerem”.
Hoje, nós, eu e meus amigos, estamos mais velhos e mais
maduros. Quase todos somos pais, como Fausto que deixou uma filha. Os Prêmios
M, com o passar do tempo, foram se tornando cansativos devido à obrigação de “sempre
fazer”. Pra nós, a brincadeira perdeu a graça quando virou compromisso.
Paramos. Eles continuaram por muitos anos depois. A brincadeira rendeu dinheiro
e virou profissão. Frutificou sucesso, ainda que restrito. Para nós, eles
continuaram sendo engraçados. Para mim, mais que engraçados, eles são uma
referência e um exemplo de como ter sucesso fazendo coisas divertidas. Um dos
meus amigos diz que a grande diferença entre nós e eles foi a coragem em mandar
os vídeos para a MTV. E ter uma “perucoteca” mais farta. Parando pra pensar,
para Fausto, chegou uma hora que a brincadeira deixou de ser divertida também.
Mas a forma que com que ele resolveu parar com ela foi a mais “Joselito”