segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Justin, Axl, garrafadas, sapatadas e um filme queimado

Então o Justin Bieber veio ao Brasil, foi se esbaldar numa das termas mais famosas e mais caras do Rio de Janeiro, levou várias acompanhantes (porque prostitutas são as que cobram menos de 100 reais) e fez um verdadeiro festival de esbórnia para acabar num show pífio e que terminou antes do previsto por conta de uma garrafada que tomou. O ídolo das adolescentes, essas que ficam dois meses em fila pra comprar ingresso, perdem ENEM, sacrificam estudos por um cantor, só revisitou a velha pecha, creio que em desuso, do popstar em países longínquos e subdesenvolvidos onde ele se diverte com mulheres nativas e faz menos o seu papel de popstar. Papel que o levou a esse título. No caso de Bieber, a música.
Bieber não foi o primeiro a fazer esse tipo de aventura. Sempre se soube que o Kiss vinha ao Brasil, havia uma visita à Kilt, casa de espetáculos (nome fantasia, ok?). Principalmente, os grandes ídolos do rock adoravam curtir o sabor da mulher brasileira nos mais variados lugares. Havia uma fama de mal, de macho pegador a ser mantida. Os fãs, claro, adoravam. Capítulo à parte nas aventuras de astros estrangeiros no Brasil era a coleção de arruaças em hotéis, bares e afins. Não se escondia o uso de drogas pesadas. Os fãs adoravam a “atitude” de seus ídolos. Os tempos mudaram. Hoje, uma deusa do pop como Lady Gaga exerce seu lado politicamente correto indo a uma comunidade no Rio de Janeiro. Madonna visita seus amigos Luciano Huck e Angélica em casa e rende assunto pras revistas de fofocas. Artistas menos conhecidos e menos visados pelos holofotes se contentam com um passeio nas praias do Rio ou conhecendo o cristo Redentor. De grandes astros passam por meros turistas casuais. O bom-mocismo termina imperando. Ninguém quer ficar mal na fita. O que os fãs podem pensar?
Bieber não tem essa obrigação, claro, mas dada a faixa etária de suas fãs poderia se preocupar um pouco mais que os outros. Pessoalmente, a fã mais velha do JB que conheço tem 17 anos. A maioria transita entre os 12 e os 15 anos. Uma molecada que quer se sentir um pouco mais “rebelde” ouvindo um som que confronte os pais e no qual possa extravasar sua adolescência. Acho perfeitamente justo. Tive minha fase, fui adolescente e é saudável você achar um ídolo que saia, um pouco, do lugar comum e do rigor da casa dos pais. O adulto que você quer ser quando crescer. No caso de Bieber, um moleque como eles que venceu na música. Como eu disse, tive, também, essa fase. Com 12 anos conheci por amigos o Guns n’ Roses, que gosto até hoje tanto por algumas boas músicas como pela nostalgia. E de bons moços, eles nunca tiveram nada.
Em 1992, eu com 13 anos, invejei alguns amigos que foram ver o Guns em São Paulo. Essa estada do grupo em São Paulo foi a típica situação descrita acima. O vocalista Axl Rose jogou uma cadeira em vários jornalistas. No Rio, jogou o telefone do quarto em que estava no hotel da janela. O típico bad boy! O show, meus amigos se lembram, teve também seu fim adiantado devido a um objeto voador vindo da plateia. Dessa vez um sapato. Os tempos eram outros, a estupidez de alguns presentes, parece, não.
Bieber não é Axl. Seja como for, o Guns encerrou suas atividades alguns anos depois. Axl retomou a banda com outros integrantes e, claro, o som não é mais o mesmo. Nem a postura. Axl é um sujeito de 51 anos, “certinho” como ele mesmo diz. Bieber ainda é um molecote de 19 e tem chão pela frente. Tem algum talento, algo que pode ser aprimorado, carreira que pode ser redirecionada a fim de alcançar outros fãs. Evolução profissional que o pop, tão mutante, exige para manter seus heróis na crista da onda e amadurecimento, que a vida sempre traz, No entanto, o papelão feito no Brasil e que relembrou o pior de grandes ídolos de outras gerações pode manchar um dessa em que essa “atitude” é a maior prova de estupidez humana. O resto, o tempo dirá.