Aposto que o Leonardo Sakamoto já falou sobre isso, só que
eu, assíduo em seu blogue, não li se ele escreveu. Mas cada vez que entro na
Internet e pego qualquer notícia pra ler, quando termino, por uma curiosidade
mórbida, me meto a ler os COMENTÁRIOS. E me arrependo amargamente disso.
Diferente do Saka, não vou me imiscuir pelo lado político da
coisa. Opinião política, já disse aqui, cada um tem a sua, o que não explica
nem justifica ignorância, preconceito nem ódio extremista. Para ilustrar esse
post levantarei uma postagem que a UOL fez semana passada sobre uma (excelente)
entrevista com o narrador Luciano do Valle na ESPN. Luciano é um cara que, como
narrador, eu adoro. Como visionário de esportes, eu o aplaudo de pé, mas tenho
minhas reservas enquanto pessoa e empresário. Basta que eu não o convide para
vir a minha casa nem feche acordo com ele. Deixo alguns comentários sobre a
reportagem acerca da entrevista para
serem lidos:
(clique e amplie pra ler)
Ok, Luciano não é mais aquele. Como telespectador, HOJE,
tenho muitas críticas a suas narrações, nas quais volta e meia ele se perde,
erra nomes pra caramba, mas nada que tire seu brilho anterior. Nunca um grito
de gol foi mais explosivo, sóbrio e emocionante como o do Luciano (e aqui vai
subjetivismo. Muito melhor que os “Olha o que ele fez! Olha o que ele fez!” ou “Olha
o gol! Olha o gol!” do seu concorrente de “lá”, como se diz na Band). No
entanto, a idade chega e é hora de pendurar o microfone. Mas ainda prefiro o
Luciano com todos os lapsos e apesar do Neto (que para muitos comentadores –
diferente de comentarista que presume-se, sabe do que fala – parecem ser a
mesma pessoa).
Quando a coisa cai pro lado da política, o negócio fica
pior. É um festival de preconceito, ignorância e arrogância. Gente que, a ver
pelo português, sequer completou o primário fala sobre política, economia,
sociologia, geopolítica com ares de doutores no assunto faltando argumento e
sobrando baixo calão. Espertamente, blogues de humor como o Classe Média Sofre e
Tudo Culpa dos PeTralhas pescam o que há de melhor nessa barafunda e divulgam
fazendo rir com coisas que muita gente leva a sério. Tira-se o lado engraçado e
fica o preocupante.
Preocupante porque uma pessoa dessas, que acha que petista
devia ser morto, que defende a volta da ditadura Militar, com a tortura
inclusive ou que prega a submissão da mulher e usa “nicknames” e ‘avatares”
escondendo a identidade real, pode estar atrás de você na fila do banco ou ao
seu lado numa lanchonete ou no ponto de ônibus. Aquele sujeito que você acha
ser tão bonzinho, na Internet, é um defensor de toda sorte de violência contra
aqueles que não concordam com ele. É um oculto que tendo direito a voz num
fórum virtual deixaria Hitler, Stallin e Pinochet no chinelo caso fosse lhe
dado uma nesga de poder.
Como combater isso? Pessoalmente, se alguma reportagem na Net ou em
redes sociais me agrada e me desperta opinião, eu a darei. Quantas vezes ao
elogiar A ou B, veio um Z me chamando de comunista, de gay, de cretino (já que
debater a ideia é muito complicado porque precisa de argumento, ataca-se quem a
deu)? Quando acontece isso, ou dou o assunto por encerrado ou sou sarcástico ou
quando a coisa desce a níveis de crosta, vou até lá e respondo na mesma moeda.
Mas a cada dia, a Internet vem perdendo encanto pra mim. O melhor é ignorar
sempre. Uma pessoa dessas é anônima na fila do banco e jamais será corajosa o
bastante longe de um computador. Caso encontre um gay de maus bofes e macho o
bastante pra lhe acertar um soco, por exemplo, a homofobia dele é a primeira a
fugir.

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