terça-feira, 1 de outubro de 2013

O lobo perde o pelo, mas não perde o vício. Ou perde?

Um cara de quem sempre fui fã musicalmente e, por algum tempo, como pessoa foi o Lobão. Impossível falar do rock brasileiro sem ele e quem conhecer qualquer coisa do Vímana, que juntava dentre outros Lulu Santos, Ritchie e o próprio Lobão sabe o que estou falando. Depois de um ostracismo, Lobão voltou com uma inovação – ou diria uma oficialização – sensacional que foi o CD independente. Seu disco A Vida é Doce, de 1999, era vendido em revistas e numerado além de ter algumas faixas disponíveis em seu site oficial. Depois dele, muitos artistas foram por esse caminho até o CD ser um formato quase inútil.
Essa inovação tem explicação. Lobão andava esquecido, vilanizado pelas drogas e prisão, sem gravadora e com discos pífios; marginalizado por rádios e TVs (seria ele o precursor dos shows ao modo SESC-SESI, gratuitos?), mas com coisa boa pra mostrar além do seu boom dos anos 1980. Reclamão e polêmico ele é desde que existe e esse era até um dos seus charmes (já brincava Gabriel O Pensador em Festa da Música “A festa tá correndo bem/O Lobão até agora não falou mal de ninguém”). Seja como for, a novidade levou o lobo aos holofotes. Shows, entrevistas, divulgação e o Acústico MTV. Estranho para um ferrenho crítico da emissora.
O que veio depois do disco (e da contratação pela emissora, Lobão passou a apresentar na sua grande desafeta) foi um Lobão como sempre polêmico, mas pela primeira vez desmedido, atirando pra tudo que é lado e com um posicionamento extremamente reacionário, quase despótico.
Não vou esmiuçar o posicionamento político do Lobão, até porque a Cynara Menezes fez isso excelentemente nesse artigo em seu blogue e porque posição política cada um tem a sua. A minha bate frontalmente com a dele como com a de muitos amigos, mas acho que existem limites. E Lobão ultrapassou todos eles em entrevistas exaltando a Ditadura Militar, pregando outra, falando bobagens e mais bobagens que só encontram eco em facebobos de Direita, gente que acha que o Estado deve ser abolido, que tudo que leva social, até traje social, é coisa de comunista. Enfim, efeitos colaterais de uma democracia.
Hoje Lobão, como músico, faz shows (a maioria pelo SESC-SESI, sócios do Estado cuja existência ele prega o fim) e arrumou uma vaga como articulista da revista Veja. Pessoalmente, acho legal, afinal como disse um amigo, é ótimo alguém ter uma crônica que eu não lerei numa revista que eu já não leio. O que me fez escrever essas linhas foi a grosseria com a qual ele tratou o pessoal do Pânico nesse domingo.

Ok, o Pânico é o tipo de programa que ou se ama ou se odeia, extrapola, exagera, às vezes recorre ao mau gosto, eu sei. E tem todo o direito, o Lobão, de não gostar como eu tenho o direito de não perder todo domingo. Agora me surpreende uma pessoa ser estúpido com alguém.
Opinião, Lobão, a gente dá e precisa estar preparado para dar e para ouvir. Infelizmente, mais do que o cara polêmico de outrora, ele virou um chato mal educado. Musicalmente, Lobão está sumido, não faz nada que lembre seu auge há tempos. Como formador de opinião está difícil de ser levado a sério. Ainda restam os facebobos.

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