Um cara de quem sempre fui fã musicalmente e, por algum
tempo, como pessoa foi o Lobão. Impossível falar do rock brasileiro sem ele e
quem conhecer qualquer coisa do Vímana, que juntava dentre outros Lulu Santos,
Ritchie e o próprio Lobão sabe o que estou falando. Depois de um ostracismo,
Lobão voltou com uma inovação – ou diria uma oficialização – sensacional que
foi o CD independente. Seu disco A Vida é Doce, de 1999, era vendido em
revistas e numerado além de ter algumas faixas disponíveis em seu site oficial.
Depois dele, muitos artistas foram por esse caminho até o CD ser um formato
quase inútil.
Essa inovação tem explicação. Lobão andava esquecido,
vilanizado pelas drogas e prisão, sem gravadora e com discos pífios;
marginalizado por rádios e TVs (seria ele o precursor dos shows ao modo
SESC-SESI, gratuitos?), mas com coisa boa pra mostrar além do seu boom dos anos
1980. Reclamão e polêmico ele é desde que existe e esse era até um dos seus
charmes (já brincava Gabriel O Pensador em Festa
da Música “A festa tá correndo bem/O Lobão até agora não falou mal de
ninguém”). Seja como for, a novidade levou o lobo aos holofotes. Shows,
entrevistas, divulgação e o Acústico MTV. Estranho para um ferrenho crítico da
emissora.
O que veio depois do disco (e da contratação pela emissora,
Lobão passou a apresentar na sua grande desafeta) foi um Lobão como sempre
polêmico, mas pela primeira vez desmedido, atirando pra tudo que é lado e com
um posicionamento extremamente reacionário, quase despótico.
Não vou esmiuçar o posicionamento político do Lobão, até
porque a Cynara Menezes fez isso excelentemente nesse artigo em seu blogue e
porque posição política cada um tem a sua. A minha bate frontalmente com a dele
como com a de muitos amigos, mas acho que existem limites. E Lobão ultrapassou
todos eles em entrevistas exaltando a Ditadura Militar, pregando outra, falando
bobagens e mais bobagens que só encontram eco em facebobos de Direita, gente
que acha que o Estado deve ser abolido, que tudo que leva social, até traje
social, é coisa de comunista. Enfim, efeitos colaterais de uma democracia.
Hoje Lobão, como músico, faz shows (a maioria pelo
SESC-SESI, sócios do Estado cuja existência ele prega o fim) e arrumou uma vaga
como articulista da revista Veja. Pessoalmente, acho legal, afinal como disse
um amigo, é ótimo alguém ter uma crônica que eu não lerei numa revista que eu
já não leio. O que me fez escrever essas linhas foi a grosseria com a qual ele
tratou o pessoal do Pânico nesse domingo.
Ok, o Pânico é o tipo de programa que ou se ama ou se odeia,
extrapola, exagera, às vezes recorre ao mau gosto, eu sei. E tem todo o
direito, o Lobão, de não gostar como eu tenho o direito de não perder todo
domingo. Agora me surpreende uma pessoa ser estúpido com alguém.
Opinião, Lobão, a gente dá e precisa estar preparado para dar
e para ouvir. Infelizmente, mais do que o cara polêmico de outrora, ele virou
um chato mal educado. Musicalmente, Lobão está sumido, não faz nada que lembre
seu auge há tempos. Como formador de opinião está difícil de ser levado a
sério. Ainda restam os facebobos.
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