sexta-feira, 18 de outubro de 2013

PS 4 a 4 paus?

Deu que o PlayStation 4 vai sair e vai custar perto da bagatela de 4000 reais. De fato, o preço do brinquedo é abusivo, é irreal, é proibitivo. Mas ver o bafafá que a classe média anda fazendo em cima disso nas redes sociais (no Facebook, principalmente) chega a ser cômico.
Eu não sou muito ligado em vídeogames. Minha vida gamemaníaca parou no Mega Drive e eu pagaria – se tivesse – quatro mil reais em um. Depois dele vieram os Segas 64 para a morte da Sega e a sobrevida da Nintendo (ah, os tempos em que os maníacos discutiam sobre o melhor)., o Xbox, os PS, que até joguei, mas por mais tecnologia e gráficos e possibilidades, não me seduziu.
Hoje um videogame chega a esses preços estratosféricos e causa revolta nos nerds, mas por que o preço? Impostos?
Claro que um produto, pela novidade que traz e pela grife que ostenta, vai aparecer no mercado com um preço alto. É a regra capitalista contra a qual se tenta lutar, mas não se consegue. É a mesma regra que os mesmos nerds defendem com unhas e dentes nas mesmas redes sociais. Os mesmos nerds que execram o socialismo sem saber o que é, mas, capitalistas, não venderiam um produto que, por acaso, criassem, a 400 dólares apenas. E são os que reclamam de impostos. Jogam a culpa do seu sonho de consumo máximo ser supertaxado no país. Oras, todo país deve ter impostos para a manutenção do Estado que é, por mínimo ou máximo que seja. E todo imposto deve ser proporcional ao valor e à necessidade do produto. Não se cobram alíquotas proibitivas de itens alimentares. Por outro lado, os tais “supérfluos” têm uma taxa mais alta já que não são indispensáveis. Ninguém precisa de cerveja, cigarro ou um videogame pra viver ou subsistir. E aí, uma taxação alta pode ser considerada justa. Para miséria dos nerds.
A verdade é que eu não sei, em minha ignorância em tecnologia, no que o PS4, tão esperado, propalado e endeusado, pode ser melhor que o PS3. Melhores gráficos? Mas o outro tem gráficos já excelentes, que beiram ou superam a realidade. Mais funções? Ele já conecta à Internet, é DVD, toca CDs (quem usa CD hoje?). O que o 4 faria? Café? Traria embutido canais de TV fechada?

No fim das contas, fala aqui um sujeito que não se deixou seduzir pela tecnologia de ponta, mas inútil e meramente recreativa. Claro que eu faço coro às vozes que acham um absurdo pagar quatro paus num videogame, mas me separo dessa turma pelos motivos da crítica. Não é culpa da Dilma, não é culpa dos impostos. Pode ser culpa da empresa que fabrica e bate o martelo num preço maluco pra ter lucro estrondoso. Pode ser culpa do comerciante, que quer tirar a fatia dele nesse bolo. Mas eles todos são tão gananciosos quanto seria qualquer um que critica o preço. Porém, esses, por fazerem parte do sistema capitalista e meritocrático que os nerds tanto apreciam sem conhecer direito ou pouco se lixando para os efeitos colaterais, esses não ganham uma vaia. Merecem pagar quatro mil reais sangrados sabe de onde para ter algo a ser superado daqui algum tempo. Enquanto isso, continuo querendo um Mega Drive.

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