Deu que o PlayStation 4 vai sair e vai custar perto da
bagatela de 4000 reais. De fato, o preço do brinquedo é abusivo, é irreal, é
proibitivo. Mas ver o bafafá que a classe média anda fazendo em cima disso nas
redes sociais (no Facebook, principalmente) chega a ser cômico.
Eu não sou muito ligado em vídeogames. Minha vida
gamemaníaca parou no Mega Drive e eu pagaria – se tivesse – quatro mil reais em
um. Depois dele vieram os Segas 64 para a morte da Sega e a sobrevida da
Nintendo (ah, os tempos em que os maníacos discutiam sobre o melhor)., o Xbox,
os PS, que até joguei, mas por mais tecnologia e gráficos e possibilidades, não
me seduziu.
Hoje um videogame chega a esses preços estratosféricos e
causa revolta nos nerds, mas por que o preço? Impostos?
Claro que um produto, pela novidade que traz e pela grife
que ostenta, vai aparecer no mercado com um preço alto. É a regra capitalista
contra a qual se tenta lutar, mas não se consegue. É a mesma regra que os
mesmos nerds defendem com unhas e dentes nas mesmas redes sociais. Os mesmos
nerds que execram o socialismo sem saber o que é, mas, capitalistas, não
venderiam um produto que, por acaso, criassem, a 400 dólares apenas. E são os
que reclamam de impostos. Jogam a culpa do seu sonho de consumo máximo ser
supertaxado no país. Oras, todo país deve ter impostos para a manutenção do
Estado que é, por mínimo ou máximo que seja. E todo imposto deve ser
proporcional ao valor e à necessidade do produto. Não se cobram alíquotas
proibitivas de itens alimentares. Por outro lado, os tais “supérfluos” têm uma taxa
mais alta já que não são indispensáveis. Ninguém precisa de cerveja, cigarro ou
um videogame pra viver ou subsistir. E aí, uma taxação alta pode ser
considerada justa. Para miséria dos nerds.
A verdade é que eu não sei, em minha ignorância em
tecnologia, no que o PS4, tão esperado, propalado e endeusado, pode ser melhor
que o PS3. Melhores gráficos? Mas o outro tem gráficos já excelentes, que
beiram ou superam a realidade. Mais funções? Ele já conecta à Internet, é DVD,
toca CDs (quem usa CD hoje?). O que o 4 faria? Café? Traria embutido canais de
TV fechada?
No fim das contas, fala aqui um sujeito que não se deixou
seduzir pela tecnologia de ponta, mas inútil e meramente recreativa. Claro que
eu faço coro às vozes que acham um absurdo pagar quatro paus num videogame, mas
me separo dessa turma pelos motivos da crítica. Não é culpa da Dilma, não é
culpa dos impostos. Pode ser culpa da empresa que fabrica e bate o martelo num
preço maluco pra ter lucro estrondoso. Pode ser culpa do comerciante, que quer
tirar a fatia dele nesse bolo. Mas eles todos são tão gananciosos quanto seria
qualquer um que critica o preço. Porém, esses, por fazerem parte do sistema
capitalista e meritocrático que os nerds tanto apreciam sem conhecer direito ou
pouco se lixando para os efeitos colaterais, esses não ganham uma vaia. Merecem
pagar quatro mil reais sangrados sabe de onde para ter algo a ser superado
daqui algum tempo. Enquanto isso, continuo querendo um Mega Drive.

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