quinta-feira, 15 de maio de 2014

Bota na conta do Papa

O Papa é pop, o Papa é homem e o Papa tem paixões e gostos como qualquer um de nós. E esse Papa Francisco revelou a nós, pobres diabos apaixonados por essa coisa profana chamada futebol, que ele também gosta do riscado. Desde sua eleição ao Trono de Pedro, apareceu uma foto no, então, Jorge Bergoglio, com uma camisa do seu time do coração, o San Lorenzo de Almagro. Coisa de sul-americano. Talvez, mas terminou sendo mais simpático. A nós, sul-americanos. Talvez.
Seja como for, o esporte mais popular do planeta não parece fazer parte da história de seus antecessores. Isso porque prefiro pontuar aqueles a que vi desde que nasci. Qual, na Polônia, era o time de Karol Wojtila, sua Santidade João Paulo II? O bávaro Joseph Ratzinger, o Papa Emérito Bento XVI, teria vibrado com o título do alemão e também bávaro Bayern no campeonato nacional? Ou torce para algum outro? Perguntas difíceis para nós, que vemos esses chefes religiosos e de Estado na TV. Seus biógrafos podem ter a resposta, mas para buscá-la devemos ter por eles paixão parecida com a que temos pelos nossos times. É ver quem se habilita.
O tema me vem à tona uma vez que essas semanas, o glorioso San Lorenzo bateu o Grêmio nas oitavas de final da Libertadores da América e o Cruzeiro nas quartas. Ajudou a ceifar brasileiros do torneio. Lá do Vaticano, certamente alguém curtiu essa vitória. Sobre o San Lorenzo, vale dizer que o time está para a Argentina, guardada as proporções, ao o que é o Vasco no Brasil. Também que Almagro é o bairro de Buenos Aires onde foi fundado. Como todos os clubes argentinos, o San Lorenzo tem seus apelidos. No caso: El Ciclón, Los Cuervos e um que não deve agradar nada ao Papa: Los Santos Matadores. De qualquer forma, o San Lorenzo vem atravessando uma fase muito feliz. E coincidência ou não, essa fase tem melhorado desde a subida de Jorge Bergoglio ao Trono de Pedro. No ano passado, o San Lorenzo venceu o torneio Abertura do Argentino, que ocupa o segundo semestre do futebol de lá. Esse ano, o time classificou muito bem no grupo da Libertadores com certa dificuldade e, depois, uma classificação heroica contra o Grêmio nos pênaltis. Contra o Cruzeiro, o Ciclón teve uma vitória na Argentina e um empate jogando o fino em Minas Gerais. Coincidência?
Na Argentina, o San Lorenzo equivale, guardadas todas as proporções, ao próprio Cruzeiro ou ao Atlético, um time que figura entre os grandes e tradicionais do País, mas de torcida mais restrita e regional. Se entendermos que o futebol argentino se resume, quase todo a Buenos Aires e algumas cidades ao redor. Poucos times argentinos são de fora desse círculo. No entanto, o momento do San Lorenzo é excepcional. A brincadeira que se faz sobre ajuda divina e uma mãozinha do Papa é engraçada, mas descredita o bom trabalho feito pelo clube. É bem verdade que a Libertadores desse ano foi cruel com equipes tradicionais como com os times brasileiros. Além de habitueés como Boca Jrs, River Plate, Colo Colo ou Olimpia, que nem se classificaram, os uruguaios Peñarol e Nacional e o Universidad de Chile ficaram pelo caminho. O time do Jorge Bergoglio, que não tem um título continental, não tem nada a ver com isso e vai trilhando, com a ajuda de Deus, a torcida do Papa e muita competência seu caminho à final. Aparentemente, as fases mais difíceis e os adversários mais complicados foram superados, mas ainda tem muita surpresa por vir. Lá do Vaticano, o Papa Francisco tem o que comemorar.

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