O Papa é pop, o Papa é homem e o Papa tem paixões e gostos
como qualquer um de nós. E esse Papa Francisco revelou a nós, pobres diabos
apaixonados por essa coisa profana chamada futebol, que ele também gosta do
riscado. Desde sua eleição ao Trono de Pedro, apareceu uma foto no, então,
Jorge Bergoglio, com uma camisa do seu time do coração, o San Lorenzo de
Almagro. Coisa de sul-americano. Talvez, mas terminou sendo mais simpático. A
nós, sul-americanos. Talvez.
Seja como for, o esporte mais popular do planeta não parece
fazer parte da história de seus antecessores. Isso porque prefiro pontuar
aqueles a que vi desde que nasci. Qual, na Polônia, era o time de Karol
Wojtila, sua Santidade João Paulo II? O bávaro Joseph Ratzinger, o Papa Emérito
Bento XVI, teria vibrado com o título do alemão e também bávaro Bayern no
campeonato nacional? Ou torce para algum outro? Perguntas difíceis para nós,
que vemos esses chefes religiosos e de Estado na TV. Seus biógrafos podem ter a
resposta, mas para buscá-la devemos ter por eles paixão parecida com a que
temos pelos nossos times. É ver quem se habilita.
O tema me vem à tona uma vez que essas semanas, o glorioso
San Lorenzo bateu o Grêmio nas oitavas de final da Libertadores da América e o
Cruzeiro nas quartas. Ajudou a ceifar brasileiros do torneio. Lá do Vaticano,
certamente alguém curtiu essa vitória. Sobre o San Lorenzo, vale dizer que o
time está para a Argentina, guardada as proporções, ao o que é o Vasco no
Brasil. Também que Almagro é o bairro
de Buenos Aires onde foi fundado. Como todos os clubes argentinos, o San
Lorenzo tem seus apelidos. No caso: El Ciclón, Los Cuervos e um que não deve
agradar nada ao Papa: Los Santos Matadores. De qualquer forma, o San Lorenzo
vem atravessando uma fase muito feliz. E coincidência ou não, essa fase tem
melhorado desde a subida de Jorge Bergoglio ao Trono de Pedro. No ano passado, o
San Lorenzo venceu o torneio Abertura do Argentino, que ocupa o segundo
semestre do futebol de lá. Esse ano, o time classificou muito bem no grupo da
Libertadores com certa dificuldade e, depois, uma classificação heroica contra
o Grêmio nos pênaltis. Contra o Cruzeiro, o Ciclón teve uma vitória na
Argentina e um empate jogando o fino em Minas Gerais. Coincidência?
Na Argentina, o San Lorenzo equivale, guardadas todas as
proporções, ao próprio Cruzeiro ou ao Atlético, um time que figura entre os
grandes e tradicionais do País, mas de torcida mais restrita e regional. Se
entendermos que o futebol argentino se resume, quase todo a Buenos Aires e
algumas cidades ao redor. Poucos times argentinos são de fora desse círculo. No
entanto, o momento do San Lorenzo é excepcional. A brincadeira que se faz sobre
ajuda divina e uma mãozinha do Papa é engraçada, mas descredita o bom trabalho
feito pelo clube. É bem verdade que a Libertadores desse ano foi cruel com
equipes tradicionais como com os times brasileiros. Além de habitueés como Boca
Jrs, River Plate, Colo Colo ou Olimpia, que nem se classificaram, os uruguaios Peñarol
e Nacional e o Universidad de Chile ficaram pelo caminho. O time do Jorge
Bergoglio, que não tem um título continental, não tem nada a ver com isso e vai
trilhando, com a ajuda de Deus, a torcida do Papa e muita competência seu
caminho à final. Aparentemente, as fases mais difíceis e os adversários mais
complicados foram superados, mas ainda tem muita surpresa por vir. Lá do
Vaticano, o Papa Francisco tem o que comemorar.


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